R7 12h31 Segunda-Feira, 31 de Maio de 2010 Pelo menos 38% de todos os médicos paulistas prescrevem medicamentos que são indicados pela indústria farmacêutica. As informações são de uma pesquisa do Cremesp (Conselho Regional de Medicina de São Paulo). A influência dos laboratórios é ainda maior quando os médicos recebem representantes das empresas, já que 48% dos médicos admitem que receitaram medicamentos após visita dos propagandistas das fábricas. De acordo com a pesquisa, oito a cada médicos recebem essas visitas. No caso de equipamentos médico-hospitalares a eficiência dos representantes é a maior de todas: 71% dos médicos recomendaram os produtos após visita das empresas. Para grande parte dos médicos, essa prática vem desde os anos de faculdade, já que 74% declararam que presenciaram ou receberam benefícios durante a graduação. Diante dessa influência, cerca de um terço dos médicos desconfia dessa relação com as fábricas, que, segundo o Cremesp, está contaminada e chega a ultrapassar os limites da ética. Alguns médicos disseram que essa relação se tornou comercial, e não científica. Outros profissionais chegaram a dizer que as empresas tentam comprá-los com presentes e vantagens. Dentro todos os médicos paulistas, a pesquisa mostrou que 32% acreditam que o relacionamento com a indústria está totalmente fora de controle; 35% criticam os interesses financeiros e influências das fábricas na prescrição; 33% souberam ou presenciaram ganhos de comissão por recomendação de procedimento desnecessário; e 33% consideram insuficiente a regulamentação ética. Mesmo com essa desconfiança, 62% dos médicos avaliam positivamente a relação com as empresas que fabricam medicamentos, órteses, próteses e equipamentos médico-hospitalares. As principais razões são que essas indústrias realizam um bom atendimento, além de trazerem novos medicamentos e informações cientificas atualizadas. Benefícios das indústrias Ainda de acordo com a pesquisa, 93% dos médicos receberam nos últimos 12 meses brindes ou benefícios de até R$ 500 da indústria farmacêutica e de equipamentos. Já 58% receberam objetos para o consultório, enquanto 34% receberam almoços ou jantares e 15% receberam ingressos para eventos culturais e de lazer. Além disso, 37% dos médicos disseram que receberam benefícios superiores a R$ 500, como viagens para congressos nacionais e internacionais e convites para participar de cursos. Nenhum médico afirmou que recebe prêmios por prescrever medicamentos ou equipamentos a seus pacientes. No entanto, 12% deles disseram conhecer colegas que recebem tais comissões. A partir dessa pesquisa, o Cremesp espera ampliar o debate sobre a necessidade de mais transparência e de maior divulgação do atual Código de Ética Médica. Além disso, o conselho busca aprimorar as relações entre os médicos e as empresas que fabricam e comercializam medicamentos, órteses, próteses e equipamentos médico-hospitalares. A pesquisa do Cremesp foi realizada pelo Datafolha, entre dezembro de 2009 e janeiro de 2010, após entrevista com 600 médicos de diversas especialidades. Data: 01/06/2010 Seção: Saúde Veículo: Click PB

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