Emerson Cunha e Lucilene Meireles Paralisação compromete atendimento a usuários de planos de saúde. Segundo MP, quem pagar pode pedir ressarcimento Os pediatras de toda a Paraíba devem paralisar atendimento de caráter privado nos dias de hoje e amanhã, em todo o estado. O serviço cancelado durante os dois dias é referente a consultas nos consultórios pagas por convênio com planos de saúde, sendo mantidos apenas os casos de urgência e emergência. A mobilização dos profissionais segue indicativo nacional, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), em razão do baixo valor repassado, por consulta, pelas empresas de planos de saúde aos médicos pediatras. “Desde 2003, a gente não tem um aumento no valor da consulta, apesar das empresas de plano de saúde terem aumentado o valor das prestações aos usuários.”, afirma Kátia Laureano, presidente da Sociedade de Pediatria Paraibana (SPP). Segundo o promotor do consumidor, Glauberto Bezerra, a constitucionalidade da ação está em manter o atendimento energencial e de urgência. Mas, caso seja necessário recorrer a um pediatranesses dias, e pagar pela consulta à vista, o consumidor pode recorrer ao seu plano de saúde o ressarcimento pela não efetivação do serviço que lhe deveria ser oferecido. Segundo Kátia, o valor ideal de repasse seria R$ 80 por consulta. “Mas a consulta geralmente varia de R$ 27 a R$ 40. Se a gente deduzir os impostos, os encargos sociais, fica quase 50% de despesas. Se for fazer as contas do que a gente gasta, a gente não ganha.”, frisou. O valor por consulta fica ainda mais baixo contando-se o retorno do paciente, que não é cobrado como consulta. No caso da pediatria, o número de retornos do paciente, no caso, criança e adolescente, são maiores dentro de um curto período de tempo, além do acompanhamento extra-clínico. O número de retornos chega a 30% dos atendimentos no período de 30 dias. “Hoje o que está acontecendo é que 30%, a gente atende de graça”, salientou Kátia. Além disso, os pediatras realizam a puericultura, isto é, atendimento especializado a crianças com menos de um ano, que precisam de cuidados específicos. “Trabalhamos a imunização, a prevenção de acidentes, orientação nutritiva. É algo complicado, mas não há reconhecimento por parte dos planos de saúde.” Por conta dos baixos valores, geralmente os pediatras tem que recorrer a outras fontes de renda além dos consultórios, como o serviço público. A consequência é uma menor devoção aos consultórios e pacientes ali atendidos, e acompanhamento menos apurado dos casos, o que ocasiona insatisfação dos próprios usuários dos planos de saúde. A mobilização dos pediatras deve iniciar às 6h, com concentração dos profissionais no Busto de Tamandaré, conscientizando a população sobre as causas da paralização dos atendimentos por plano de saúde. Em todo o Estado há cerca de 300 pediatras. O número de vinculados a consultórios e clínicas não chega a cem. Quatro consultórios e clínicas de emergência fecharam suas portas, segundo Kátia. Hoje, restam menos de 30, atendendo uma média de 20 crianças diariamente cada um. Entre os que deixaram de funcionar estão o Pronto Atendimento Infantil (PAI), Clínica de Hidratação Infantil e Clinar. A reportagem de O Norte contactou duas grandes empresas de plano de saúde na capital. A Unimed não pronunciou solução para a situação, enquanto que a Unidas deve se reunir na tarde de hoje com a SPP. Data: 23/02/2010 Seção: Dia a Dia Veículo: Jornal O Norte

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