Descrever o perfil epidemiológico da incidência dos tumores pediátricos nos 17 Registros de Câncer de Base Populacional (RCBP) do país. Com esse objetivo, técnicos do Instituto Nacional de Câncer realizaram um estudo para analisar o perfil da incidência dos tumores pediátricos nos RCBP, com ênfase nos três tipos mais freqüentes: leucemias, linfomas e tumores do sistema nervoso central (SNC). Os resultados obtidos foram semelhantes aos padrões internacionais, destacando-se a leucemia como o tumor mais incidente. Outra questão importante refere-se à faixa etária na qual as leucemias são mais evidentes. A exemplo do observado em outros países, este estudo também encontrou maior freqüência em crianças com idade inferior a cinco anos. Dentre os RCBP analisados, as maiores taxas médias de incidência ajustada por idade foram encontradas na cidade de Natal, com 3,19 casos por 100.000 habitantes no sexo masculino, e em São Paulo, com 2,13 casos por 100.000 habitantes no sexo feminino. Com relação à distribuição dos linfomas, foi observado que, na maioria das localidades, seguem padrão semelhante aos países em desenvolvimento, onde é o segundo tipo mais freqüente. Nos países desenvolvidos, ocupam o terceiro lugar. Observou-se ainda um comportamento diferenciado entre os sexos, com maiores taxas de incidência em meninos do que em meninas. Entretanto, nenhuma faixa etária mostrou-se mais evidente. As maiores taxas médias de incidência ajustadas por idade foram encontradas na cidade de São Paulo, com 1,81 por 100.000 no sexo masculino, e em Natal, com 2,27 por 100.000 no sexo feminino. Para os tumores do sistema nervoso central, os resultados obtidos não reproduzem os encontrados na literatura mundial que atribui ao sexo masculino as maiores taxas médias de incidência. Outro ponto observado, é que as maiores taxas médias por idade foram encontradas no grupo de um a quatro anos. Já na literatura internacional, o pico da incidência é entre cinco e 10 anos. As maiores taxas médias de incidência ajustadas por idade foram encontradas em São Paulo, com 1,67 por 100.000 no sexo masculino, e 1,48 por 100.000 no sexo feminino. Uma possível explicação para a ocorrência das maiores taxas no município de São Paulo pode estar relacionada ao seu desenvolvimento. “A cidade de São Paulo possui uma rede de assistência melhor estruturada, profissionais mais capacitados e, portanto, diagnósticos mais precisos. Outras cidades por não possuírem o mesmo acesso ao diagnóstico podem não identificar casos de tumores pediátricos fazendo com que as taxas fiquem subestimadas”, comenta a técnica Rejane Reis. O estudo – que foi desenvolvido pelos técnicos do INCA Marceli de Oliveira Santos, Rejane de Souza Reis e Luiz Claudio Santos Thuler – foi publicado em abril na Revista Brasileira de Cancerologia. Base de Informações As idades de referência para tumores pediátricos variam de 0 a 18 anos. Neste estudo, foram categorizadas em cinco grupos etários: menor de um ano, de um a quatro anos, de cinco a nove anos, de 10 a 14 anos e de 15 a 18 anos. Os técnicos utilizaram como base as informações sobre a incidência do câncer pediátrico de 17 RCBP brasileiros, com informações compreendidas entre 1991 e 2001 (15 capitais, Distrito Federal e Campinas). Os técnicos que elaboraram o estudo alertam que a análise das informações deve sempre levar em consideração as migrações interestaduais, a concentração de centros especializados de tratamento e a oferta de leitos específicos para o tratamento do câncer na infância e na adolescência. Além disso, recomendam cautela na interpretação das informações dos RCBP com menos de três anos consolidados. Fonte: INCA

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