O CRM-PB lançou, nesta segunda-feira (19), o Observatório da Violência contra o Médico, uma iniciativa voltada ao registro, monitoramento e análise de episódios de violência contra profissionais da Medicina. O lançamento contou com a presença da diretoria do CRM-PB, do CFM, conselheiros, diretores técnicos de hospitais e representantes do Simed, da AMPB, da OAB-PB e da Polícia Civil, além da imprensa e familiares da médica Maria Emília Fernandes, assassinada em seu local de trabalho em 1994, e homenageada durante a cerimônia.
A criação do Observatório ocorre diante da preocupação com o aumento dos casos de violência nos ambientes de trabalho. Pesquisa realizada pelo CRM-PB, em 2025, com 611 médicos, revelou que 80,4% dos entrevistados já sofreram violência verbal durante o exercício profissional. O levantamento também identificou que 62,2% foram vítimas de violência moral, 9,5% de violência física, 5,2% de violência sexual e 37,2% relataram situações de discriminação.
“Este é um tema muito sensível. A violência é inadmissível em qualquer circunstância, mas se torna mais grave contra um profissional que sai de sua casa para salvar vidas. Além disso, temos constatado que as principais vítimas de violência no trabalho são as médicas e, aqui na Paraíba, 52% dos profissionais médicos são do sexo feminino. Com o Observatório, teremos dados para um diagnóstico preciso de onde e como estes casos acontecem, para que sejam tomadas medidas enérgicas de proteção aos médicos e médicas”, afirmou Bruno Leandro de Souza.
O presidente do Sindicato dos Médicos, Tarcício Campos, destacou que as entidades médicas vêm se preocupando com este tema há anos. “Infelizmente, quando o paciente encontra algum problema na unidade de saúde, como superlotação, falta de equipamento ou de medicamento, ele coloca a responsabilidade no médico ou nos outros profissionais de saúde. E eles não são culpados por esta falta de estrutura”, afirmou.
O secretário geral do CFM, Alexandre Rodrigues, parabenizou o Conselho e destacou a importância e o pioneirismo da iniciativa. “Temos hoje, no Brasil, mais de 720 mil médicos registrados e convivendo com a violência diária. Parabenizo o CRM da Paraíba pela resolução e por colocar em prática este canal. Levaremos a ideia para os demais estados do país”, disse.
A solenidade também contou com uma homenagem à médica ginecologista e obstetra Maria Emília Fernandes Vieira, assassinada em 1994, durante seu exercício profissional, no PAM de Jaguaribe, em João Pessoa. Seus familiares receberam do presidente Bruno Leandro e do primeiro vice-presidente, Walter Azevedo, a comenda “Árvore da Vida”.
A médica Fabíola Ferreira, irmã da Maria Emília, falou em nome da família e agradeceu a homenagem. “A criação deste Observatório é muito importante para os médicos. Lembrar e homenagear nossa irmã nos deixou muito agradecidos e emocionados. Minha irmã foi um ser de luz e sua história não poderia ficar esquecida”, disse emocionada.
Estiveram presentes no evento o presidente do CRM-PB Bruno Leandro e Souza, o secretário geral do CFM Alexandre Rodrigues, o primeiro vice-presidente Walter Azevedo, o diretor de fiscalização do CRM-PB e conselheiro federal, Antônio Henriques, o secretário geral do CRM-PB Klecius Leite, o primeiro secretário Mário Toscano, a segunda tesoureira Euda Aranda, o terceiro secretário, Cláudio Orestes, e as conselheiras Cristiana Ribeiro e Margareth Diniz. Além deles, o presidente do Simed Tarcísio Campos, o presidente da AMPB Islan Nascimento, o diretores técnicos Eguimar Fernandes (Hospital da Mulher) e Marcílio Cartaxo (Hospital Napoleão Laureano), o presidente da Comissão de Direito Médico e Saúde da OAB-PB Maurílio Medeiros Júnior e a chefe de gabinete da Delegacia Geral da Polícia Civil da Paraíba Maíra Roberta Araújo.
Como denunciar casos de violência – Para fazer a denúncia no Observatório da Violência contra o Médico, o profissional deve baixar o aplicativo “CRMPB ON”, disponível no sistema IOS e Androide. O próprio médico pode fazer a denúncia, além de comunicar ao diretor técnico da unidade em que trabalha. Conforme a Resolução do CRM-PB a notificação de casos de violência contra médicos será obrigatória aos diretores técnicos das unidades de saúde.












