No próximo domingo, dia 9 de maio, é celebrado o Dia das Mães. Conciliar trabalho e maternidade é um dos grandes desafios das mulheres, principalmente das médicas que estão lidando com a pandemia de covid-19 desde o ano passado. A endocrinologista e nutróloga, Nara Nóbrega Crispim Carvalho, é uma dessas mulheres que, aos 39 anos, enfrenta as dificuldades e consegue conciliar a extensa rotina profissional com a dedicação aos quatro filhos.

Formada em Medicina pela Universidade Federal de Campina Grande em 2006, com Residência em Clínica Médica, especialização em Endocrinologia, em Nutrologia e Nutrição, ela trabalha atualmente no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), no Hospital de Emergência e Trauma Humberto Lucena, na Clínica Oncovida, é professora da Faculdade de Medicina Nova Esperança (Famene), além de estar cursando o Doutorado em Ciências da Nutrição na UFPB.

“Minha rotina de trabalho é bem pesada. Meus filhos são meu maior motivo para sempre querer crescer, tanto pessoalmente, como profissionalmente”, diz Nara. Ela conta que a relação da maternidade e medicina começou cedo, aos 25 anos, quando ainda fazia a primeira residência médica. Na entrevista a seguir, Nara fala também sobre a pandemia, seu acometimento pela covid no ano passado (que a deixou internada por dez dias e a fez passar o dia das mães longe dos filhos), além das incertezas sobre a doença, a rotina diária com quatro crianças em aula online e ainda dar conta dos afazeres domésticos e profissionais.

Estamos em maio, mês das mães. Como conciliar a Medicina com os filhos e a família? A sra já se sentiu no dilema de ter que se dedicar mais à vida profissional ou à pessoal e acreditar que não estava fazendo o que deveria?

Minha relação com a maternidade e a medicina começou cedo. Aos 25 anos eu era mãe e estava fazendo residência em Clínica Médica. Antes de terminá-la, eu já estava grávida do segundo filho. Morava em outra cidade, longe do meu marido e família e tinha que me adequar entre a função de ser mãe, médica e residente. Foram tempos difíceis, mas aprendi a distribuir meu tempo e a estudar com os filhos do lado, barulho de crianças e afazeres domésticos. Isso me fez amadurecer bastante e descobri que era capaz de fazer qualquer coisa, só bastava esforço. O dilema entre dedicação à família, trabalho e vida acadêmica existe até hoje. Não existe mãe que não se sinta culpada por não se dedicar totalmente aos filhos. Mas, hoje, sei a importância de se ter uma individualidade e me reconhecer apenas como Nara. Isso me ajuda a ter uma aproximação ainda maior com os meus filhos. Consigo priorizar momentos e situações de forma bem proativa, ora filhos, ora trabalho.

Atualmente, como é a sua rotina de trabalho?

Minha rotina de trabalho é bastante “pesada”, não só por todas as funções que desempenho, mas por sempre “levar trabalho para casa”, devido às atividades acadêmicas.

Como a pandemia afetou o seu trabalho e convívio com familiares?

A pandemia comprometeu bastante a nossa rotina. Primeiro por todas as incertezas, tristezas e afastamento social que a mesma trouxe. Segundo, por ter quatro filhos dentro de casa, sem ir à escola (todos com aula on-line). Isso nos deixou super ocupados (risos). Minha caçula foi alfabetizada na pandemia e tive muita dificuldade de acompanhá-la.

Como seus filhos estão lidando com a pandemia? Está sendo difícil para eles?

Há exatamente um ano, eu tive covid-19 e precisei de internação. Passei o dia das mães afastada deles, fiquei internada por dez dias e isso gerou muito sofrimento para todos. No início, eles se estressaram com a pandemia, devido ao isolamento. Entretanto, se adaptaram muito rápido com o entendimento da gravidade da situação. Filhos de médicos acabam aprendendo a dividir seus pais com os pacientes e com o tempo eles até se orgulham. Eu tenho quatro filhos: Bernardo (13 anos), Benício (12 anos), Laura (8 anos) e Valentina (7 anos) e eles são meu maior motivo para sempre querer crescer, tanto pessoalmente, como profissionalmente.

Os profissionais de saúde estão exaustos, há mais de um ano trabalhando na pandemia. Enquanto isso, parte da população ainda promove aglomerações e não segue as medidas sanitárias. O que a sra acha sobre isso?

Eu acredito que uma parcela da população não toma o devido cuidado, gerando mais contaminação e sofrimento por tantas perdas. É triste ver na UTI tantas pessoas morrendo, inclusive muitos jovens, muitas vezes por acreditarem que não irão agravar. Então, o mais sensato é sempre a prevenção. Esse é o melhor caminho.

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