Os ministros da Saúde, Saraiva Felipe, e da Educação, Fernando Haddad, apresentaram hoje os resultados da Pesquisa sobre Comportamento Sexual e Percepções do HIV/Aids (1998-2005) e mostraram também dados do Censo Escolar 2005. Realizada pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), a pesquisa concluiu que o brasileiro está usando preservativo na sua primeira relação sexual cada vez mais. Na população geral de indivíduos entre 16 e 19 anos, o uso da camisinha na primeira relação cresceu de 47,8% em 1998 para 65,8% em 2005. Na faixa etária de 20-24 anos, saltou de 37,7% para 55,2%, no mesmo período. Um estudo realizado em 1986 revelou que, naquela época, somente 9% da população brasileira declararam ter usado preservativo na primeira relação. A metodologia aplicada foi a mesma de sete anos atrás, quando o estudo foi realizado pela primeira vez. Os resultados apresentados nesta sexta-feira são relativos apenas à população jovem – entre 16 e 24 anos. A pesquisa global, no entanto, refere-se à população com idades entre 16 e 65 anos. Os dados relativos às outras faixas etárias serão divulgados posteriormente, sem data prevista. No estudo deste ano, foram entrevistadas 5.040 pessoas, entre homens e mulheres de todas as regiões do Brasil, entre junho e agosto. A pesquisa mostra que, entre homens, o uso do preservativo na primeira relação sexual passou de 45,1% em 1998 para 68,3% em 2005, na faixa etária de 16-19 anos; e de 44,0% para 57,5% na faixa etária de 20-24 anos. Nas mulheres, cresceu de 51,0% para 62,5%, na faixa de 16-19 anos, no mesmo período; e de 30,0% para 52,4% na faixa de 20-24 anos. A maioria dos entrevistados respondeu que o uso do preservativo na primeira relação foi proposto pelos dois parceiros. Nota-se, porém, que homens sugerem mais o uso da camisinha do que mulheres. “Os dados mostram, mais uma vez, que a política adotada pelo governo está no caminho adequado, valorizando a evidência científica como referência para o processo educativo, sem levar em conta aspectos alheios a esses princípios”, diz o ministro da Saúde, Saraiva Felipe. Para o diretor do Programa Nacional de DST e Aids, Pedro Chequer, o aumento do uso da camisinha é refletido na queda do número de casos de aids em adultos jovens. “Essa constatação contrapõe-se às características da epidemia nas faixas etárias mais elevadas, nas quais a menor freqüência do uso do preservativo leva a uma maior ocorrência de casos de aids”. De acordo com o Boletim Epidemiológico 2005, o número de casos da doença em homens de 13-29 anos caiu de 5.028 (1998) para 3.671 (2004). Entre mulheres, a redução foi menor: na faixa etária de 13-24 anos, os casos caíram de 1.483 (1998) para 1.455 (2004). No público masculino, as principais razões alegadas para não usar o preservativo na primeira relação sexual são basicamente as mesmas nas duas faixas etárias: a falta da camisinha na hora da transa, a falta de informação e orientação, e não pensar no assunto. Entre as mulheres, a confiança no parceiro é um dos principais argumentos para não usar preservativo, nas duas faixas etárias pesquisadas. Segundo a pesquisa, entre as razões para não iniciar a vida sexual, os homens alegam a busca por parceria ideal, a falta de vontade e de oportunidade, e a pretensão de casar virgem. Destaque para a faixa etária de 20-24 anos, que cita em primeiro lugar as questões religiosas. As mulheres das duas faixas etárias citam a busca por parceria ideal, a falta de vontade e o desejo de casar virgem. Uso de camisinha – Sobre o uso do preservativo, a diferença é significante entre homens e mulheres de todas as idades. Entre brancos e negros, os índices são semelhantes. A pesquisa define dois tipos de uso: o regular (aquele em que as pessoas, nos últimos 12 meses, já usavam e continuaram a usar o preservativo, ou não usavam e passaram a usar nas relações sexuais, mas não todas as vezes) e o consistente (aquele em que as pessoas sempre usaram camisinha nas relações sexuais nos últimos 12 meses). Na faixa etária de 16-19 anos, 51% dos homens e 33% das mulheres citam o uso consistente de camisinha. Na faixa de 20-24 anos, os índices são de 38% entre homens e de 23% entre mulheres. Os dados também mostram que o uso da camisinha cresce segundo o grau de instrução. Entre homens de 16-19 anos, o índice salta de 58,6% nos analfabetos funcionais para 72,2 naqueles com segundo grau completo. Observa-se, também, que os brasileiros sexualmente ativos da região Sul são os que mais usam preservativo, seguidos das pessoas do Norte/Nordeste e do Centro Oeste/Sudeste – exceto o estado de São Paulo, que foi avaliado isoladamente. A pesquisa revela ainda que é maior o uso do preservativo nas relações eventuais do que nas estáveis. Quase 87% dos homens de 16-19 anos usam camisinha nas relações casuais. Já entre as mulheres de 20-24 anos, só 23,4% usam preservativo com seus namorados, noivos, maridos ou outras parcerias com vínculo ou compromisso. Primeira relação sexual – De um modo geral, os jovens estão transando mais. A idade média da população jovem (16-24 anos) na primeira relação sexual, entre 1998 e 2005, sofreu queda de 15,2 anos para 15 anos, entre os homens, e de 16 anos para 15,9 anos, entre as mulheres. Em 1998, a atividade sexual nos últimos 12 meses foi relatada por 56,5% dos homens na faixa dos 16-19 anos e por 86,2% na faixa dos 20-24. Nas mulheres, o índice foi de 41,6% na faixa dos 16-19 anos e de 75,8% na faixa dos 20-24 anos. Em 2005, os índices chegaram a 78,4% nos homens de 16-19 anos e a 95,4% nos de 20-24 anos. Nas mulheres, os valores saltaram para 68,5% nas de 16-19 anos e para 86,9% nas de 20-24 anos. Testagem e tratamento – Com relação à porcentagem da população jovem que já fez teste para o HIV, percebe-se queda entre os homens – de 16,9% em 1998 para 14,5% em 2005. “Como os homens jovens estão se prevenindo mais, consideram que estão menos expostos ao risco de infecção pelo HIV. Portanto, estão se testando menos”, comenta Elza Berquó. Nas mulheres, houve crescimento significativo no porcentual que já realizou teste anti-HIV – de 17,1% para 33,2%. O resultado é explicado, em grande parte, pelo aumento da realização do teste no pré-natal. Nos homens, os motivos mais alegados para fazer o teste são a iniciativa própria e a doação de sangue. Nota-se, ainda, que a pública responde, em média, por 60% dos exames realizados. Em relação ao conhecimento sobre aids e prevenção, ambos os sexos citam como origem de informações, a família, a escola e a televisão. O uso do preservativo é a forma mais citada pela população jovem como forma de se proteger do vírus da aids. Os índices passam de 94%, independentemente de sexo, faixa etária ou escolaridade. “Podemos afirmar, categoricamente, que todos os jovens brasileiros sabem que a camisinha é capaz de prevenir a infecção pelo HIV”, diz Berquó. O conhecimento sobre a existência e a eficácia de tratamento da aids pode ser considerado bom. Pelo menos dois terços dos entrevistados sabem que existem medicamentos para tratar a doença e que eles podem melhorar a qualidade de vida do doente. Esses indicadores crescem conforme o nível de escolaridade. Censo Escolar 2005 Os ministros da Saúde e da Educação, ao lado de representantes da Unesco e Unicef, divulgaram também os resultados de um levantamento sobre saúde incluído no Censo Escolar 2005. Pela primeira vez, o Censo traz informações sobre ações de prevenção as DST/Aids realizadas em escolas de educação básica (ensino infantil, fundamental e médio). Do total de escolas que responderam ao questionário do estudo, foi constatado que o tema “drogas” foi o mais abordado, com 71% de escolas realizando trabalhos nessa área. Em seguida, os temas mais abordados foram “DST/aids” (60,4%), gravidez na adolescência (52%) e “saúde sexual e reprodutiva” (45%). Os questionários do estudo foram respondidos por 161.679 escolas (78% do total das 207.214 escolas cadastradas no Censo). Dessas, 99% das escolas de ensino médio e 95% as escolas de ensino fundamental afirmaram trabalhar algum tema relacionado à promoção da saúde e educação preventiva. O resultado apresentado pelo estudo reforça o que a pesquisa do comportamento sexual do brasileiro (divulgada nesta sexta) mostrou: a escola é o segundo lugar mais apontado pelos jovens para obter informações sobre aids. Em primeiro vem a família e em terceiro, a TV. Ações – A partir das respostas foi possível conhecer as ações realizadas nas escolas de ensino fundamental e médio relacionadas às DST/Aids (68,3% delas fazem atividades nesse campo), saúde sexual e reprodutiva (50,9%), gravidez na adolescência (59,3%), drogas (80%) e outros temas (63%). Novamente, o tema drogas foi o mais abordado nas escolas. Se for separado por categoria de ensino, nota-se que o tema DST/aids é mais abordado nas escolas de ensino médio, onde 96% realiza atividades relacionadas ao tema, enquanto no ensino fundamental esse percentual é de 67,8%. Responsável – A maioria das escolas tem o professor como responsável pelas atividades relacionadas às DST/Aids. Os professores capacitados para fazer tal atividade correspondem a 43% do total pesquisado e os não capacitados são 35% do todo. Profissionais de saúde de nível superior também participam das atividades em 36% das escolas, assim como os profissionais de saúde de nível médio (18%), membros de Organizações da Sociedade Civil (8%) e outros profissionais (19%). A educação entre pares, feita por jovens multiplicadores, tem o menor percentual, correspondendo a 6% do total. Abordagem – A maioria das 97,6 mil escolas que trabalham o tema DST/Aids optou por inserir o assunto em conteúdos das disciplinas (81%) ou por meio de palestras (71%). A distribuição de materiais educativos é feita em 38% e 25% trabalham o tema em feira de ciências. Entre as escolas que trabalham com DST/Aids, 9,2 mil disponibilizam preservativos, representando 9% dessas escolas. Em 2004, 1,5 milhão de preservativos foram distribuídos para escolas. Este ano, o número foi quatro vezes maior – 6 milhões de unidades. Freqüência – Das 97,6 mil escolas que trabalham o tema DST/Aids, o mais comum é a realização dessas atividades semestralmente, com 45% da proporção de escolas. O restante afirmou desenvolver atividades mensalmente (29,7%), anualmente (20%) ou semanalmente (5,5%). O Censo Escolar é realizado anualmente em escolas públicas e privadas do País pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC), em parceria com as secretarias estaduais e municipais de Educação. A partir desses dados, será possível formular políticas públicas e definir repasses de recursos. Histórico – Desde 1995, quando foi criado o Projeto Escolas, o Governo Federal promove ações relacionadas às DST/Aids em escolas. Em 2003, foi lançado o projeto Saúde e Prevenção nas Escolas, uma estratégia articulada entre os ministérios de Saúde e Educação que leva para o espaço escolar a discussão sobre educação preventiva e promoção à saúde, com oferta de preservativos. A ação inicialmente era voltada para adolescentes e jovens de escolas públicas, com idade entre 13 e 24 anos. Desde março de 2005 a estratégia foi estendida para estudantes a partir dos 10 anos, com a diferença que essa faixa etária só está inserida nas ações educativas e estratégias específicas para a faixa etária. O projeto piloto começou em agosto de 2003 em 84 escolas de seis municípios brasileiros. A meta é que em 2007 toda a rede de ensino de educação básica trabalhe com promoção à saúde e saúde preventiva. Mais informações: Programa Nacional de DST e Aids Assessoria de Imprensa Telefones: (61) 3448-8100 / 8088

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