Carta Avô Ao Conselho Federal de Medicina – CFM e todos Conselhos Regionais do País, todas Entidades e Organizações Médicas e, principalmente, todos Profissionais de Saúde, Venho solicitar ajuda como médico, pai e avô na divulgação de carta escrita pelo meu filho, Rafael Paim Cunha Santos, no intuito de conseguir transplante cardíaco para o meu neto Arthur. Esta carta tem como finalidade alertar hospitais, médicos e demais profissionais da área de saúde no sentido de identificar um possível doador não exclusivamente para o meu neto, mas para todos que necessitam de um transplante de órgãos para se manterem vivos. Como médico enfatizo a necessidade e a importância do engajamento de todos os profissionais da área de saúde – médicos, enfermeiros, assistentes sociais, enfim, todos os profissionais que lidam com a vida humana – na identificação de possíveis doadores atuando e interagindo com as famílias tanto para esclarecê-Ias como para acolhê-Ias. É importante que os hospitais e todos os profissionais de saúde tenham em sua agenda os telefones da Central de Transplante para que possam informar sobre possíveis doadores à Central de Transplante e, reiterando o que foi dito acima, que acolham a família nesta hora difícil onde a dor de um pode salvar a vida de outro. Telefones da Central Transplante Rio de Janeiro: 2587-6111 – 2587-6830 – 2587-6464 – 2587-6444 E-mail: rj-tx@lampada.uerj.br A relação completa de centrais pode ser identificada no 0800 611997 ou no endereço eletrônico www.saude.gov.br/transplantes. Por fim, agradeço, me despeço e, principalmente, reforço o pedido de leitura, ação e articulação de nossa classe para nosso mais belo ofício: salvar vidas. Rio, 16 de janeiro de 2006 Dr. José Roberto Carta Pai Carta aos Profissionais de Saúde Aos médicos, diretores de hospitais, Sistema Nacional de Transplantes, Conselho Federal de Medicina e, para conhecimento, toda sociedade Brasileira, A desinformação tem sido o principal obstáculo para bebês receptores de órgãos. Os Profissionais de Saúde são, por vocação, motivados pela vida – por servir para educar, curar, reabilitar, prevenir e promover a saúde e o bem estar público. Salvar uma ou muitas vidas, acredito eu, é o ápice de suas carreiras. Hoje há um bebê neste país que pode ser salvo. Para este, não há impedimento formal ou legal, diferente do que podem pensar e, ainda, pensam. Somente há restrição informacional e de ação, de atitude. Arthur precisa de um coração de um doador com morte encefálica ou sua equivalente morte por anencefalia. As duas estão previstas na estrutura da Justiça e da Saúde do País. O CFM recebeu delegação do Congresso Nacional para regulamentar a lei e assim o fez, com a “Autorização ética do uso de órgãos e/ou tecidos de anencéfalos para transplante, mediante autorização prévia dos pais”, da resolução 1.752/04. O Ministério da Saúde, em 09 de dezembro, reforçou a legitimidade do CFM e disparou um movimento para preparar as centrais de transplantes para a doação de órgãos e/ou tecidos de anencéfalos. As bases legais, disponíveis no site www.doeacao.com.br e no 0800 282 8131, são: Lei 9434-97 Dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante e tratamento e dá outras providências. Clique para download (PDF) Resolução CFM nO 1.752/04 Autorização ética do uso de órgãos e/ou tecidos de anencéfalos para transplante, mediante autorização prévia dos pais. Resolução CFM n° 1.480/97 Sobre a caracterização da morte encefálica. Portaria MS nO 1.752/05 Determina a constituição de Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante em todos os hospitais públicos, privados e filantrópicos com mais de 80 leitos. Comunicação Secretaria de Atenção à Saúde Concede autorização para a doação de órgãos de anencéfalos. As informações e ações são fundamentais. Médicos e hospitais precisam ou poderiam: – esclarecer as dúvidas das famílias que podem ser doadoras; – prover informações para que decidam sobre a doação de forma consciente e adequada; – informar as centrais de transplante sobre potenciais doadores; – promover a cultura da doação, desmistificar e demonstrar a simplicidade da doação; – ter preparação e palavras para o apoio emocional necessário às famílias; – ter estrutura para informar sobre a doação (as centrais realizam a coleta e transporte do órgão e não o hospital); – pedir que criem comissões de doação nos Hospitais nos quais trabalham, como manda a resolução 1752/05 MS; – pedir que coloquem a doação na formação básica dos médicos, em especial, sobre como falar com a população; – montar treinamentos internos; – conversar com as centrais para tirar dúvidas; – incentivar outros médicos ao ato de apoio à salvação de vidas pela doação. – Deixar claro para os médicos que não há necessidade de autorização judicial ou chance de serem processados por atuarem na salvação de uma vida com órgãos e/ou tecidos de um anencéfalo; – divulgar o caso do Arthur para salvá-lo e, em especial, evitar que no futuro outros tenham tanta dificuldade para lutar pela vida; – motivar a criação de mais OPO (organização de procura de órgãos), a exemplo de São Paulo; – alertar e repudiar o comércio de órgãos; – reforçar que as religiões, em sua grande maioria, se não todas, são a favor da doação (ver a posição de cada uma em www.doeacao.com.br/religiao); – divulgar o 0800 282 8131 e o site www.doeacao.com.br para doadores e receptores de órgãos e/ou tecidos bebês; – outras atitudes que vocês como médicos, profissionais da saúde, podem pensar e agir, melhor que eu, que sou somente pai. Pensem, entrem em ação. Grato, Rafael Paim PS.: Arthur tem hipoplasia das cavidades esquerdas, agravada por um canal com aorta filiforme (1,5 mm) e válvula tricúspide com vazamento. Sua única chance é um transplante. Mais informações em www.doeacao.com.br. Arthur tentou Norwood aos 4 dias. Aos 7 colocou um stent no canal arterial. Desde que nasceu, há 2 meses e um dia, aguarda no pós-operatório infantil que apareça um doador para salvar sua vida, e a desinformação tem em muito o atrapalhado. Em 15 de janeiro de 2006 foi realizada com a participação de pelo menos 550 apoiadores com a camisa do Doeação (estimativa mais de 1000 envolvidos) uma caminhada pela doação de órgãos para bebês receptores que dependem da ação dos médicos para apoiar às famílias na decisão de doação. Nesta data foram distribuídas mais de 3600 cartas iguais a esta, na caminhada pela doação de órgãos para bebês (www.doeacao.com.br). A caminhada teve cobertura ampla dos canais da imprensa brasileira (Globo, Bandeirantes, SBT, Record, CNT, Estadão, CBN, Tupi, Extra, O Dia, NetIV e outros).

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