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Por Dr. Heverton Amorim

CRM-PB: 5330

Mastologia RQE: 3763

Áreas de atuação:

Mamografia RQE 3208

Ultrassonografia em Ginecologia e Obstetrícia RQE 3990

Presidente da Sociedade de Mastologia da Paraíba

 

O Outubro Rosa tornou-se um dos mais importantes movimentos mundiais de conscientização sobre o câncer de mama. Sua origem remonta ao início da década de 1990, nos Estados Unidos, quando a fita rosa passou a simbolizar a mobilização pela detecção precoce, pelo acesso ao tratamento e pelo apoio às mulheres acometidas pela doença.

 

No Brasil, a campanha ganhou força ao longo dos anos, ultrapassando o caráter simbólico da iluminação de monumentos e das ações educativas. Hoje, representa uma oportunidade de discutir políticas públicas, ampliar o acesso aos exames e reafirmar o compromisso da medicina com a saúde da mulher.

 

Nesse percurso, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) tem desempenhado papel fundamental. Por meio de suas ações nacionais e regionais, a entidade promove informação científica, educação médica continuada e mobilização da sociedade, defendendo o acesso ao diagnóstico oportuno e ao tratamento adequado.

 

A dimensão desse desafio permanece expressiva. Segundo as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026–2028, são esperados 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil, consolidando a doença como a neoplasia maligna mais incidente entre as mulheres, excluídos os tumores de pele não melanoma.

 

A mortalidade também exige atenção. Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade, divulgados pelo INCA, registraram 20.849 mortes por câncer de mama em 2024. Apesar dos avanços na cirurgia, radioterapia e tratamentos sistêmicos, milhares de brasileiras ainda perdem a vida em decorrência da doença. As desigualdades regionais, as dificuldades de acesso aos serviços especializados e o diagnóstico em estágios avançados continuam sendo obstáculos importantes.

 

Entre as estratégias capazes de modificar esse cenário, a mamografia ocupa posição central. Ensaios clínicos randomizados e estudos populacionais demonstram que o rastreamento mamográfico reduz a mortalidade por câncer de mama, especialmente quando realizado de maneira sistemática, com controle de qualidade e acesso à investigação diagnóstica e ao tratamento.

 

A Sociedade Brasileira de Mastologia, em conjunto com o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, recomenda o rastreamento mamográfico anual a partir dos 40 anos para mulheres de risco habitual, com individualização da continuidade após os 75 anos. Mulheres com risco elevado necessitam de avaliação específica, podendo se beneficiar de início mais precoce e de métodos complementares, especialmente a ressonância magnética.

 

Entretanto, recomendar exames não é suficiente. É necessário garantir que as mulheres tenham acesso à mamografia, à investigação das alterações identificadas e, quando necessário, ao tratamento em tempo oportuno. Um programa de rastreamento somente cumpre sua finalidade quando todas essas etapas funcionam de maneira integrada.

 

Essa discussão assume particular importância no Nordeste, onde as desigualdades socioeconômicas e as dificuldades de acesso aos serviços de saúde ainda representam desafios. Na Paraíba, ampliar a cobertura mamográfica, fortalecer a rede de diagnóstico e reduzir o intervalo entre a suspeita clínica e o início do tratamento devem permanecer entre as prioridades da assistência à saúde da mulher.

 

Para nós, médicos, o Outubro Rosa também representa uma oportunidade de reflexão. Precisamos reconhecer que o cuidado não começa com o diagnóstico nem termina com a cirurgia. Ele envolve escuta, orientação, decisões compartilhadas, acompanhamento e respeito às necessidades individuais de cada paciente.

 

Em 2026, a Sociedade Brasileira de Mastologia apresenta uma mensagem que traduz essa responsabilidade coletiva: “A vida nos une. O cuidado nos move”.

 

Mais do que um slogan, essa proposta nos convida a transformar a conscientização em atitudes permanentes. O desafio é fazer com que a atenção dedicada ao câncer de mama durante outubro esteja presente nos serviços de saúde durante todos os meses do ano.

 

O verdadeiro significado do Outubro Rosa está justamente nessa continuidade: oferecer às mulheres brasileiras não apenas informação, mas oportunidades reais de diagnóstico precoce, tratamento adequado e preservação da vida.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estimativa 2026–2028: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/numeros/estimativa.
BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Atlas de mortalidade por câncer. Rio de Janeiro: INCA. Disponível em: https://www.inca.gov.br/app/mortalidade.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE MASTOLOGIA (SBM); COLÉGIO BRASILEIRO DE RADIOLOGIA E DIAGNÓSTICO POR IMAGEM (CBR); FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA (FEBRASGO). Recomendações para o rastreamento do câncer de mama no Brasil. Disponível em: https://sbmastologia.com.br/para-o-medico/nota-de-esclarecimento-recomendacoes-da-mamografia/.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Breast cancer. Geneva: WHO, 2024. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/breast-cancer.
NELSON, H. D. et al. Effectiveness of breast cancer screening: systematic review and meta-analysis to update the 2009 U.S. Preventive Services Task Force recommendation. Annals of Internal Medicine, v. 164, n. 4, p. 244–255, 2016. DOI: https://doi.org/10.7326/M15-0969.
INDEPENDENT UK PANEL ON BREAST CANCER SCREENING. The benefits and harms of breast cancer screening: an independent review. The Lancet, v. 380, n. 9855, p. 1778–1786, 2012. DOI: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(12)61611-0.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE MASTOLOGIA. Outubro Rosa 2026–2028: A vida nos une. O cuidado nos move. Apresentação institucional da identidade visual da campanha. Material institucional, 2026.

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