CRM VIRTUAL

Conselho Regional de Medicina

Acesse agora

Prescrição Eletrônica

Uma solução simples, segura e gratuita para conectar médicos, pacientes e farmacêuticos.

Acesse agora

Entre 263 vínculos médicos analisados em sete unidades de João Pessoa e Campina Grande, 63,5% eram de profissionais sem Registro de Qualificação de Especialista em Pediatria

 

Um levantamento preliminar do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) e da Sociedade Paraibana de Pediatria (SPP) sobre a composição das equipes médicas de sete serviços que prestam assistência a crianças e adolescentes na Paraíba identificou que mais de 60% dos profissionais relacionados não possuem Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em Pediatria.

 

Foram analisados 263 vínculos médicos em unidades de João Pessoa e Campina Grande. Desse total, 96 médicos, que correspondem a 36,5%, eram profissionais com qualificação em Pediatria. Outros 167 vínculos, ou seja 63,5%, correspondiam a profissionais sem o registro da especialidade.

 

Preocupados com os dados, o CRM-PB e a SPPB irão assinar, nesta segunda-feira (27), Dia do Pediatra, um Termo de Cooperação para realizar cursos de educação continuada, visitas aos serviços de saúde, manter os dados atualizados e propor soluções.

 

“A insuficiência de especialistas, associada à ausência de supervisão, retaguarda, protocolos e condições adequadas de trabalho pode comprometer a segurança e a qualidade do atendimento. Por isso trabalharemos em parceria com os gestores para propor soluções”, afirmou o presidente do CRM-PB, Bruno Leandro de Souza.

 

Segurança da assistência

O RQE é o registro que reconhece formalmente a qualificação do médico como especialista. Sua obtenção decorre da conclusão de residência médica credenciada ou da aprovação em processo de certificação reconhecido pelas entidades competentes.

 

A ausência do RQE não significa, isoladamente, que o médico esteja impedido de prestar qualquer atendimento a crianças ou que tenha realizado assistência inadequada. Médicos sem especialidade registrada podem atender pacientes dentro dos limites de sua formação, experiência e competência profissional.

 

“A preocupação surge quando a presença de médicos sem RQE deixa de ser complementar e passa a representar a maior parte da equipe de unidades destinadas especificamente à assistência pediátrica, especialmente em serviços de urgência, emergência, internação e atendimento de casos de maior complexidade”, explica Bruno Leandro.

 

“Não se trata de desqualificar o médico generalista. O que deve ser analisado é a organização do serviço. Quando 75%, 80% ou 90% da equipe de uma unidade pediátrica não possui RQE, há uma fragilidade institucional que precisa ser corrigida. Crianças e adolescentes apresentam particularidades clínicas, farmacológicas e fisiológicas que exigem formação específica, retaguarda qualificada e protocolos adequados”, acrescenta Bruno Leandro.

 

A assistência pediátrica envolve, entre outros aspectos, cálculo de medicamentos conforme peso e idade, reconhecimento precoce da deterioração clínica, manejo específico da via aérea, avaliação do crescimento e desenvolvimento, identificação de situações de violência ou negligência e comunicação diferenciada com pacientes e responsáveis.

 

Número de pediatras não garante acesso à assistência especializada

Dados de julho deste ano mostram que a Paraíba possui 895 pediatras ativos para uma população estimada de 1,16 milhão de crianças e adolescentes (zero a 19 anos). Desta forma, há 77 pediatras para cada 100 mil paraibanos nesta faixa etária. No país, esta relação é em torno de 88 pediatras para cada 100 mil crianças e adolescentes.

 

Apesar de ser considerado um número suficiente de especialistas, estes profissionais não estão adequadamente distribuídos nos municípios paraibanos, nem nos serviços públicos e privados, nem nos diferentes níveis de complexidade assistencial.

 

Para a presidente da Sociedade Paraibana de Pediatria, Socorro Martins, os resultados sugerem que o problema não decorre apenas da quantidade de pediatras existentes no estado, mas da dificuldade de inserção e permanência desses especialistas nos serviços que concentram o atendimento da população infantil.

 

“A Paraíba possui um número relevante de pediatras ativos, mas esse contingente não aparece proporcionalmente nas equipes de vários serviços destinados ao atendimento de crianças e adolescentes. É necessário compreender onde estão esses especialistas, como estão distribuídos e por que unidades de grande demanda continuam funcionando com participação reduzida de médicos com RQE em Pediatria”, afirma Socorro Martins.

 

 

Aviso de Privacidade
Nós usamos cookies para melhorar sua experiência de navegação no portal. Ao utilizar o Portal Médico, você concorda com a política de monitoramento de cookies. Para ter mais informações sobre como isso é feito, acesse Política de cookies. Se você concorda, clique em ACEITO.