O Conselho Regional de Medicina do Estado da Paraíba (CRM-PB) interditou eticamente os médicos que trabalham no setor de necrópsia do Núcleo de Medicina e Odontologia Legal de Guarabira (Numol), no Brejo paraibano, após a equipe de fiscalização constatar condições sanitárias gravemente precárias e incompatíveis com o exercício digno da medicina, em vistoria realizada na última quarta-feira (25).
“A fiscalização identificou comprometimento das condições mínimas de funcionamento da unidade e desrespeito à dignidade no manejo de corpos. Entre as irregularidades verificadas estão atendimento improvisado em área aberta, acondicionamento inadequado de corpos, ausência de refrigeração suficiente, odor fétido intenso, presença de moscas, iluminação insuficiente, inexistência de estrutura para higienização das mãos, falta de água potável e armazenamento inadequado de materiais”, afirmou Bruno Leandro de Souza, presidente do CRM-PB.
Ele ainda acrescentou que a situação representa risco sanitário grave, com potencial impacto sobre a saúde pública, a segurança dos profissionais e o respeito devido aos mortos e seus familiares. O atendimento médico na área de perícia em vivos, que realizada exames de lesão corporal, sexológicos, conjunção carnal, constatação de embriaguez, entre outros, continua em funcionamento.
Diante da gravidade dos fatos, o CRM-PB determinou interdição cautelar ética por até 60 dias do exercício profissional médico na unidade, a partir das 7h da próxima segunda-feira (2 de março). Com a medida, os médicos ficam eticamente impedidos de atuar no local enquanto não forem restabelecidas condições adequadas para o funcionamento do serviço.
Os profissionais poderão ser remanejados para outras unidades que disponham de estrutura técnica, sanitária e operacional compatível com a prática segura da medicina. “Assim que as inconformidades forem sanadas, faremos a desinterdição da unidade. O CRM-PB vem reafirmando seu compromisso com a defesa da ética médica, da dignidade da assistência e das condições adequadas de funcionamento dos serviços de saúde no estado”, acrescentou Bruno Leandro.
















