O CRM-PB instituiu o Observatório da Violência contra Médicos na Paraíba, que irá registrar, sistematizar, analisar e mapear casos de violência sofridos por médicos durante o exercício profissional no estado. A criação do Observatório foi oficializada por meio da Resolução CRM-PB Nº 0217/2026, publicada no Diário Oficial do Estado nesta quinta-feira (20).
Vinculado à Comissão de Defesa das Prerrogativas Médicas do CRM-PB, o Observatório permitirá transformar as notificações de agressões em informações qualificadas, capazes de identificar os locais, circunstâncias e situações de maior risco para os profissionais.
“O CRM-PB decidiu ir além do recebimento burocrático dessas notificações. Queremos transformar os registros em informação organizada, identificar onde e em quais circunstâncias a violência ocorre e, a partir disso, orientar fiscalização, prevenção, interlocução com gestores, forças de segurança e Ministério Público e até propostas legislativas”, afirma o presidente do CRM-PB, Bruno Leandro de Souza.
A resolução estabelece que unidades de saúde públicas e privadas deverão comunicar ao Conselho as ocorrências de violência contra médicos registradas em suas dependências. Os próprios profissionais também poderão realizar a notificação diretamente ao CRM-PB, por meio de formulário eletrônico.
Segundo Bruno Leandro, um dos principais objetivos da iniciativa é permitir que o Conselho amplie sua atuação preventiva. “O principal ganho é sair de uma atuação predominantemente reativa para uma atuação também preventiva. O Observatório permitirá conhecer a frequência, o tipo e a distribuição das agressões, identificar unidades, setores, horários e contextos de maior risco e produzir indicadores e mapas de risco. Esses dados poderão fundamentar cobranças objetivas aos gestores”, destaca.
Em fevereiro deste ano, o CRM-PB divulgou pesquisa que ouviu 611 médicos em 2025. Entre os participantes, 493 (80%) afirmaram ter sofrido violência verbal durante o exercício da profissão, 381 (62%) relataram episódios de violência moral, 58 (9%) disseram que sofreram violência física.