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Por Dr. Kennedy Xavier de Almeida

MÉDICO CRM-PB 7714

 

Cabeças raspadas, sobrancelhas parcialmente depiladas, lágrimas de alegria escorrendo nos rostos e uma felicidade gigantesca dentro do peito, tudo isso após ver seus nomes na lista de aprovados… era o fim de uma batalha épica, a vitória com honras após longos anos de muita disciplina e dedicação aos estudos para poder lograr êxito no vestibular para o curso mais concorrido e difícil de todos: Medicina! Era como ser um dos 300 de Esparta, fazer parte de um grupo seleto, onde o simples fato de estar presente já era prova mais que suficiente de sua capacidade e inteligência notável.

 

Passar em Medicina era sinônimo de vencer na vida, era a garantia de uma carreira profissional respeitada, admirada e bem remunerada, além do prestígio social associado. Os pais se enchiam do maior orgulho que se podia ter de um filho, tomados pela sensação plena de dever cumprido.

 

Durante o curso, esses estudantes eram cobrados, não apenas pelos professores, tão experientes quanto capazes, decanos da medicina, mas também pela própria sensação de responsabilidade e dever social que os próprios estudantes passavam a sentir, afinal, seriam futuros médicos, salvariam vidas, nada mais nobre que isso para servir de incentivo para a dedicação máxima durante o curso.

 

Mas tudo isso mudou, infelizmente. O curso, por ser tão desejado, passou a ser visto como uma oportunidade única de se ganhar dinheiro por muitos empresários, e  isso aliado à políticas populistas por parte de alguns governantes, que queriam posar de benfeitores, acabou por culminar numa explosão de cursos de medicina jamais vista na história do mundo. O Brasil saltou de cerca de 100 escolas médicas, no início dos anos 2000, para mais de 400 atualmente, e aumentando…

 

Para piorar o cenário, essa expansão não foi acompanhada pela qualidade, que caiu drasticamente de modo geral. Para se ter uma ideia, no último ENAMED 2025 (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), quase 33% dos médicos concluintes, não atingiram a nota mínima de proficiência, sendo que apenas 14% dos cursos de medicina participantes receberam a nota máxima. Isso é alarmante, e nos mostra claramente que o mercado está sendo inundado de profissionais sem a qualidade mínima necessária.

 

Hoje, muitos estudantes adentram, sem muita dificuldade, os cursos de medicina, sem saber como terminarão, mais ainda, sem saber se terão um emprego garantido ou mercado para atuar, ou ainda remuneração digna ao concluir. A própria autoridade e prestígio dos médicos estão em queda livre ante uma sociedade que, cada vez mais perde o respeito e questiona condutas médicas devido à avalanche de profissionais lançados no mercado todo semestre. Alie-se a isso, ao avanço da IA (Inteligência Artificial), que adiciona um toque de incerteza e suscita calorosos debates nos grupos médicos quanto ao real impacto futuro dessa ferramenta na medicina, poderá ela substituir os médicos, como muitos entusiastas e grandes nomes da TI afirmam?

 

O fato é que incerteza é a palavra que melhor descreve nossa profissão hoje, contrastando com a certeza citada no início desse texto, que tínhamos no passado. A Medicina como a conhecemos está mudando, estamos fazendo parte desse processo, então cabe a nós, enquanto profissionais, fazer com que ela não deixe de ser aquela profissão bela, admirada e tão valorizada quanto era antes e não apenas mais uma lembrança de uma época longínqua em que estudar muito valia à pena!

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