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Por Dr. Alexandre Aranha Trigueiro

MÉDICO CRM-PB: 4928

Urologista RQE: 3675

Membro da Câmara Técnica de Urologia do CRM-PB

 

Em fevereiro de 2026 foi publicado o guideline atualizado sobre o hipogonadismo, condição caracterizada por níveis de testosterona no homem abaixo do normal, levando a sintomas tais como queda na libido, disfunção erétil, perda de massa muscular, indisposição, dentre outros. O posicionamento foi resultado da ação conjunta entre as Sociedades Brasileiras de Endocrinologia e de Urologia, com o intuito principal de reforçar que o uso de testosterona deve seguir critérios clínicos e laboratoriais claros, evitando tanto o subdiagnóstico quanto o uso inadequado da testosterona.

 

O consenso trouxe os valores de Testosterona Total (TT) que ajudam a orientar o raciocínio diagnóstico:

 

TT < 264 ng/dL: níveis consistentemente abaixo desse valor são compatíveis com hipogonadismo, sobretudo quando há sintomas clínicos.

TT > 350 ng/dL: níveis acima desse limite tornam o diagnóstico de hipogonadismo improvável.

TT entre 264 e 350 ng/dL: trata-se de uma zona de incerteza, exigindo avaliação clínica cuidadosa, repetição dos exames e análise de outros fatores.

 

Logicamente que medicina não é uma questão matemática, de maneira que não tratamos um número, mas sim o paciente, avaliado de forma holística (holos do grego = todo). Tais números acima são apenas uma referência, devendo-se, portanto, que o médico use o bom senso para a tomada de decisão, juntamente com o seu paciente.

 

De uma maneira geral, sob o ponto de vista ético, a prescrição de testosterona deve respeitar três princípios fundamentais:

  1. Diagnóstico correto: presença de sintomas + testosterona baixa confirmada.
  2. Indicação médica legítima: testosterona é tratamento para hipogonadismo, não para fins estéticos ou de performance.
  3. Segurança do paciente: tratamento deve incluir acompanhamento clínico e laboratorial.

 

Assim, a prática ética exige que o médico resista à banalização da terapia hormonal, mantendo a prescrição baseada em evidências científicas e na real necessidade clínica do paciente.

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