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Por. Dr. Bruno Leandro de Souza

MÉDICO CRM-PB: 6312

Pediatria RQE: 3910

Administração em Saúde RQE: 7910

Presidente do CRM-PB e Conselheiro Federal do CFM

O Conselho Regional de Medicina do Estado da Paraíba (CRM-PB) manifesta preocupação com a crescente divulgação da chamada soroterapia por influenciadores digitais e personalidades públicas como estratégia para promoção da saúde, melhora da imunidade, aumento da disposição, rejuvenescimento, desintoxicação do organismo ou outros benefícios cuja eficácia, para essas finalidades, não encontra respaldo científico consistente.

A ampla repercussão desses conteúdos pode levar a população a interpretar equivocadamente que se trata de procedimento eficaz, seguro e recomendado pela Medicina, quando, na realidade, sua utilização depende de indicação médica individualizada e de fundamentos técnico-científicos bem estabelecidos.

A soroterapia possui indicações médicas específicas

A administração intravenosa de soluções contendo eletrólitos, vitaminas, minerais, oligoelementos, aminoácidos ou medicamentos constitui recurso terapêutico legítimo quando empregado para tratar condições clínicas definidas, como desidratação, distúrbios hidroeletrolíticos, deficiências nutricionais comprovadas, síndromes disabsortivas, nutrição parenteral e outras situações nas quais a via intravenosa representa a melhor alternativa terapêutica.

Entretanto, o uso rotineiro da denominada soroterapia em indivíduos saudáveis, com finalidade de melhora da performance física ou mental, prevenção inespecífica de doenças, fortalecimento da imunidade, combate ao envelhecimento, emagrecimento ou promoção inespecífica do bem-estar não possui comprovação científica suficiente para justificar sua utilização como prática médica de rotina.

Na Medicina, tratamentos não devem ser fundamentados em relatos individuais, experiências pessoais, estratégias de marketing ou popularidade nas redes sociais, mas sim em estudos científicos de qualidade, reprodutibilidade dos resultados e demonstração consistente de eficácia e segurança.

Todo procedimento intravenoso envolve riscos

É igualmente importante esclarecer que a soroterapia não constitui procedimento isento de riscos.

Toda administração intravenosa exige indicação clínica precisa, avaliação médica prévia, conhecimento farmacológico das substâncias administradas e condições adequadas para sua realização.

Mesmo quando corretamente executadas, infusões intravenosas podem ocasionar eventos adversos, entre eles reações de hipersensibilidade, anafilaxia, flebites, infiltração ou extravasamento de soluções, infecções relacionadas ao acesso vascular, tromboses, distúrbios hidroeletrolíticos, sobrecarga circulatória, incompatibilidades entre substâncias administradas e outras complicações potencialmente graves.

Além disso, a administração de vitaminas, antioxidantes, aminoácidos ou outras substâncias em pacientes sem deficiência comprovada pode expor o indivíduo a riscos desnecessários, sem demonstração consistente de benefício clínico.

Na avaliação ética e científica, a inexistência de benefício comprovado modifica a relação risco-benefício do procedimento, tornando indispensável maior cautela em sua indicação.

Responsabilidade na divulgação de informações em saúde

O CRM-PB lamenta que procedimentos médicos sem comprovação científica robusta sejam divulgados ao grande público de forma simplificada ou promocional, especialmente por pessoas com elevado alcance nas redes sociais.

A liberdade de comunicação deve ser acompanhada de responsabilidade, sobretudo quando a mensagem possui potencial para influenciar decisões relacionadas à saúde. A divulgação de intervenções médicas sem a adequada contextualização científica pode estimular a procura por tratamentos desnecessários, banalizar procedimentos invasivos e gerar falsas expectativas quanto aos seus resultados.

A sociedade deve ser orientada por informações produzidas à luz da Medicina Baseada em Evidências, preservando-se os princípios da beneficência, da não maleficência, da autonomia do paciente e da segurança assistencial.

Compromisso do CRM-PB

O Conselho Regional de Medicina do Estado da Paraíba reafirma seu compromisso permanente com a defesa da boa prática médica, da ética profissional, da segurança dos pacientes e da Medicina Baseada em Evidências.

O CRM-PB orienta a população a buscar sempre avaliação médica qualificada antes da realização de qualquer procedimento terapêutico invasivo e reforça que a indicação de tratamentos deve decorrer da necessidade clínica individual, jamais da influência de tendências, publicidade ou conteúdos difundidos nas redes sociais.

João Pessoa, 9 de julho de 2026.

Dr. Bruno Leandro de Souza
Presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado da Paraíba – CRM-PB

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