Amanda Loureiro Gama
MÉDICA CRM-PB: 13409
Clínica Médica RQE: 10886
Nefrologia RQE: 10887
Certo dia, passando pelo feed do Instagram, deparei-me com um profissional afirmando que não seria necessário realizar residência médica para exercer a medicina. A afirmação me chamou a atenção, principalmente pela importância que a formação especializada exerce na construção de um médico.
A residência médica representa uma etapa fundamental desse processo. Não apenas pelo conhecimento técnico e científico adquirido ao longo dos anos, mas por tudo aquilo que se vivencia.
Durante esse período, a medicina vira o norte e o centro da sua vida. Nada é tão importante quanto aprender o ofício. Nenhuma outra coisa ocupa tanto seu tempo e seus pensamentos quanto isso. O nome residência não é à toa. O hospital vira sua casa. Seus colegas são sua família, e seus pacientes, seu bem mais precioso.
Só isso já seria suficiente para justificar meu ponto. Mas vai muito além.
Ganha-se maturidade tentando ajudar pessoas cujas reações nem sempre são previsíveis. Aprende-se a realmente ouvir. Desenvolve-se a capacidade de empatia, que constatei ser como um músculo que se fortalece à medida que é exercitado. A gente aprende que não dá para se blindar do sofrimento daqueles que estão sob nossos cuidados, mas que podemos acolhê-los e escutá-los.
É nesse encontro entre conhecimento, experiência, responsabilidade e humanidade que começamos, de fato, a compreender o que significa ser médico.
A residência médica não é apenas uma etapa de formação profissional. É uma experiência que transforma conhecimento em prática, prática em maturidade e, pouco a pouco, o estudante de medicina em médico.
Porque ser médico vai muito além do conhecimento técnico. Vai muito além do que se ensina nos livros. A medicina também se aprende na prática, nas relações, nas dificuldades, nos erros, nos acertos e em cada paciente que passa pela nossa trajetória.