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Por Dra. Micheline Pordeus Ribeiro

CRM-PB: 4916

Endocrinologia e Metabologia RQE: 3663

Clínica Médica  RQE: 3664

Conselheira do CRM-PB

 

A obesidade é hoje um dos principais desafios de saúde pública no mundo. No Brasil, dados recentes sugerem que cerca de 61% da população brasileira têm sobrepeso e 26,8%, obesidade, refletindo uma transição epidemiológica marcada pela redução de doenças infecciosas e aumento das condições crônicas.

 

Mais do que um fator de risco metabólico, a obesidade vem sendo reconhecida como um dos principais determinantes de alterações cerebrais. Tradicionalmente associada ao diabetes mellitus tipo 2 e às doenças cardiovasculares, essa condição também impacta diretamente a função cognitiva e o equilíbrio emocional. Segundo o neurocientista da UFRJ, Mychael V. Lourenço, em artigo publicado na revista ABESO, estudos de neuroimagem demonstram que indivíduos com obesidade podem apresentar redução no volume de importantes áreas cerebrais, como o córtex pré-frontal e o hipocampo, estruturas envolvidas na memória, aprendizado e nas funções executivas. Além disso, observam-se alterações neuroquímicas, como redução do tônus dopaminérgicos e perda de sinapses.

 

Essas alterações podem ter início em fases precoces da vida e repercutir ao longo da vida adulta, aumentando o risco de comprometimento cognitivo. Paralelamente, a obesidade está associada a maior prevalência de transtornos de humor, como depressão e ansiedade. Do ponto de vista fisiopatológico, mecanismos como liberação de mediadores inflamatórios, resistência insulínica sistêmica e neuronal, aterosclerose e redução da depuração de agregados beta-amiloides têm sido implicados. Tais processos podem contribuir para o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, como a demência vascular e a doença de Alzheimer. Investigadores do Reino Unido e Dinamarca observaram recentemente que o índice de massa corpórea e a hipertensão arterial são importantes fatores de risco modificáveis para a prevenção da demência vascular.

 

Nesse contexto, a obesidade não deve ser vista apenas como um problema estético ou puramente físico, mas como uma condição com potencial impacto estrutural e funcional sobre o cérebro. A adoção de estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada, exercícios físicos regulares e controle dos fatores de risco cardiovasculares, mostra-se fundamental. Além disso, novas abordagens terapêuticas como os análogos de GLP-1, vêm sendo estudadas, não apenas por seu efeito metabólico, mas também por sua potencial ação neuroprotetora.

 

Assim, prevenir e tratar a obesidade é também uma estratégia essencial para preservar a saúde cognitiva e reduzir o risco de demência ao longo da vida.

 

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