Por Dr. Álvaro Vitorino de Pontes Junior
MÉDICO CRM-PB: 5453
Otorrinolaringologia RQE: 3305
Tal tema é de grande relevância nas salas de urgência dos consultórios dos hospitais, havendo a necessidade de experiência e habilidade por parte do profissional de plantão. Conforme o tipo e a localização do corpo estranho e a idade do paciente, teremos diversos comportamentos que serão relatados a seguir:
Corpos estranhos em crianças
Em criança, normalmente os mesmos podem se localizar nos três ambientes que envolvem a especialidade.
Nas narinas: sempre constituíram um desafio e necessidade de serem removidos com a máxima rapidez. Podem ser peças de brinquedos, peças de bijuterias ou baterias de relógios (que tem a peculiaridade de perfurarem o septo nasal e precisam ser removidas imediatamente) e as sementes (que não poderão ser lavados e sim removidos com pinças específicas). O outro risco das demais é serem aspiradas para o trato respiratório inferior, podendo ficarem presos na região da valécula ou nos recessos piriformes, dificultando a remoção no consultório, necessitando a remoção em ambiente cirúrgico sob sedação.
Pode ainda ocorrer o pior, ou seja, cair na traqueia, necessitando a remoção via broncoscopia, levando a necessidade de um broncoscopista, não mais um otorrinolaringologista. Nas orelhas, temos basicamente os mesmos objetos, com as mesmas circunstâncias.
Corpos estranhos em adultos
O mais comum são as espinhas de peixe, que podem se localizar na região das amigdalas (nome correto atualmente são tonsilas palatinas), de fácil visualização e remoção. Quando temos as mesmas localizadas na valécula ou, pior ainda, nos recessos piriformes, são de mais difícil remoção e nem sempre são possíveis de serem removidas no consultório do PA, havendo necessidade de serem removidas em ambiente cirúrgico. Quando deglutidas, há necessidade de endoscopia para a remoção, não mais com o otorrino e sim, com o endoscopista.
Outra ocorrência comum são os ossos de galinha que possuem quase o mesmo comportamento, mas sempre com maior frequência de necessidade de endoscopia.
A terceira ocorrência são insetos em região dos condutos auditivos, que devem ser imobilizados com vaselina líquida e posteriormente sua remoção com lavagem auricular e/ou com pinças específicas.
Assim, corpos estranhos em otorrinolaringologia apresentam diversas matizes e, portanto, não devemos menosprezar tais situações.