Por Dra. Alana Abrantes Nogueira de Pontes
CRM-PB: 3274
ENDOCRINOLOGIA E METABOLOGIA RQE: 4466
CLÍNICA MÉDICA RQE: 2650
Conciliar gestão e assistência é um dos principais desafios para quem ocupa cargos nessas duas posições. É fundamental, porém, compreender que gestão e assistência não são atividades concorrentes, e substancialmente complementares. Uma gestão qualificada deve existir justamente para criar condições para uma assistência segura, eficiente, resolutiva e humanizada.
Essa complementaridade é especialmente relevante em hospitais universitários, onde a gestão precisa integrar, de forma articulada, assistência, ensino, pesquisa, extensão, inovação e formação profissional.
Para conciliar ambas as funções, é necessário, em primeiro lugar, saber dividir o tempo, organizar as atividades e evitar a centralização. As duas dimensões têm focos distintos: a assistência concentra-se em diagnóstico, tratamento e segurança do paciente. Já a gestão, em processos, pessoas, recursos, indicadores, qualidade e sustentabilidade. Assim, é preciso reservar tempos para: tempo assistencial, tempo gerencial, tempo estratégico e tempo de escuta.
A pergunta natural é: “Como conseguir fazer tudo?”. A resposta não está em fazer tudo sozinho, mas em reconhecer que algumas decisões e ações são exclusivas do gestor-assistente, enquanto outras exigem uma equipe de confiança, com responsabilidades bem definidas, capaz de acompanhar, em conjunto, resultados, indicadores e prestação de contas.
Nesse modelo, a experiência assistencial transforma problemas do cotidiano em projetos de gestão. Que ao mesmo tempo, a gestão passa a orientar decisões com base na realidade da assistência.
Portanto, é possível sim conciliar assistência e gestão sem perder a dimensão humana. Isso exige respeitar e ouvir quem está ao redor, de modo que “A experiência da assistência qualifique a gestão e que uma boa gestão potencialize a assistência”.