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Seg, 28 de Novembro de 2011 00:00

Autor: Marco Aurélio Smith Filgueiras (Professor / MÉDICO) - Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Veiculação: Portal CRM-PB

Vocês devem estar curiosos, olhando essas palavras, tentando soletrá-las, entendê-las e se perguntando: que coisa estranha, o que é isso? Será que estamos aqui procurando a maior palavra do nosso idioma? Se estivéssemos com esse objetivo, a primeira com 31 letras e a segunda com 25 letras, perderiam para aquela que é considerada atualmente como provavelmente a maior de todas as palavras existentes na língua portuguesa: PNEUMOULTRAMICROSCOPICOSSILICOVULCANOCONIÓTICO. Deixamos para vocês contarem. Já contaram? São 46 letras.

Este imenso vocábulo refere-se a quem apresenta doença pulmonar causada pela aspiração de cinzas vulcânicas. Os dois termos que servem de titulo ao nosso artigo nem existem no nosso vocabulário, mas foram por nós criados por conter um significado assustador. Representam as iniciais de medicamentos tomados por dois pacientes.

O primeiro paciente com 70 anos de idade, do sexo feminino, casada, nos foi enviada para um Eletrencefalograma com cefaléia e tonturas, e tomava os seguintes fármacos: HALDOL, FENERGAN, AKINETON, RISPERIDON, PONDERA, RIVOTRIL, LEXOTAN, DIAZEPAN, EVISTA, CALCIO F 1000, OMEPRAZOL, DOLAMIN, ufa! São doze medicamentos. Utilizei suas iniciais e formei o primeiro nome do titulo do nosso artigo.

O segundo também do sexo feminino, com 79 anos, diabética e hipertensa, cardíaca com marca-passo, já tendo sofrido 2 AVCs, nos procurou também para realizar o mesmo exame. Estava sendo medicada com HIDANTAL, TICLID, VASOPRIL, GLIFAGE, SEROQUEL, AMARYL, ATENOLOL, DIGOXINA, ARELIX, ASSERT, IMOVANE. São onze medicamentos. Fiz o mesmo procedimento, juntei as iniciais e acima está o segundo nome.

Temos muito que analisar, e discutir nestes dois casos, mas é bom que fique bem claro: não estamos sendo antiéticos por estarmos usando o nome oficial dos fármacos, porque nossa intenção é dar maior autenticidade ao nosso artigo, não estamos condenando os remédios, pois todos têm suas indiscutíveis indicações, muito menos o fabricante, estamos sim criticando a nós mesmos Médicos Alopatas porque estamos exercitando cada vez mais a polifarmacoterapia.

Infelizmente não temos maiores detalhes do banco de dados dos dois pacientes, particularmente os referentes à posologia. Contudo podemos fazer algumas suposições e seria bom fazê-las, pois serviria para despertar, chamar a atenção do jovem colega iniciante na profissão bem como para uma reciclagem de nós mesmos os mais experientes, apenas sobre a dose diária deixando de lado a dosagem unitária de cada fármaco ou outras questões atinentes, até porque não teríamos espaço suficiente.

Vamos supor que nosso primeiro paciente tomasse 2 comprimidos diários de cada remédio, seriam 24 comprimidos por dia ou seja 1cp a cada hora ou 2 cps a cada 2 horas, três a cada três horas e assim por diante até chegarmos a oito cada oito horas ou doze a cada doze horas. Neste último caso o nosso enfermo encheria sua “mãozinha” e tomaria os comprimidos com bastante calma e cuidado, um de cada vez, para não engasgar-se. Caso isso acontecesse, poderia ser muito grave e até mesmo letal na sua idade especialmente se morasse sozinho, por exemplo.

Por mais que busquemos explicações, indicações, sintomas, queixas, “doenças” não encontraríamos justificativas para tamanha polifarmacoterapia. E as interações medicamentosas? Se por pura curiosidade tentarmos ler suas bulas, vamos nos espantar.

Deveríamos abrir um espaço na nossa consulta para anotar o nome dos medicamentos do nosso cliente e ter a humildade de reconhecer nossos limites e ignorância (não somos donos da verdade e do saber) e consultar o Dicionário de Especialidades Farmacêuticas (DEF) às nossas mãos em livro, ou no computador, em frente do nosso paciente sem sentir vergonha (eles adoram quando o medico faz isso). Um dos maiores filósofos da humanidade Sócrates conhecedor de que o limite de sua sabedoria era sua ignorância, dizia com muita propriedade e reconhecida humildade: “Só sei que nada sei”.  Por que não dizermos o mesmo?

Se fossemos nós os pacientes (e não é difícil, pois somos humanos e também adoecemos e morremos) será que teríamos a coragem de encher nossas mãos com 12 pílulas para depois engoli-las?

Quanto ao segundo paciente que temos mais informações (é só ler logo acima seus problemas) e por isso aparentemente mais doente (não diríamos que tem mais doenças porque não existem doenças e sim doentes) que o primeiro, colocaríamos em dúvida apenas a indicação do Hidantal a não ser que tenha uma epilepsia lesional provocada pelos AVCs e o uso do Seroquel que é o fumarato de quetiapina indicado principalmente na esquizofrenia e secundariamente no transtorno afetivo bipolar.

Essa medicação deve ser usada com cuidado em pacientes cardíacos com doenças cerebrovasculares, com tendência a convulsão (termo leigo, conhecido cientificamente como crise epiléptica generalizada) e também ter cuidado no seu uso concomitante com hidantoina (Hidantal). Todas essas restrições o nosso paciente apresenta e além do mais ele é idoso com 79 anos com Esquizofrenia? ou  Desordem bipolar? Insisto: VAMOS LER A BULA, VAMOS LER O DEF. Isso é o mínimo que podemos e devemos fazer, o correto mesmo é estudar ou revisar Farmacologia Clinica e entender o que é farmacodinâmica e farmacocinética.

Pensemos nisso, reflitamos, meditemos, sintamos na nossa pele, no nosso corpo, na nossa alma, no nosso espírito. Acreditamos que a mais inteligente, mais humana, mais sábia citação da humanidade, a maior lição de amor ao nosso criador e aos nossos semelhantes é: “Não façamos aos outros,  o que não gostaríamos que fizessem com nós mesmos”.

Última atualização em Seg, 28 de Novembro de 2011 14:31
 
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